quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Se soubéssemos

A leitura de hoje foi retirada do capítulo 38 do livro Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel ao médium Chico Xavier.

"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem..." - Jesus. (LUCAS, 23:34.)

Se o homicida conhecesse, de antemão, o tributo de dor que a vida lhe cobrará, no reajuste do seu destino, preferiria não ter braços para desferir qualquer golpe.

Se o caluniador pudesse eliminar a crosta de sombra que lhe enlouquece a visão, observando o sofrimento que o espera no acerto de contas com a verdade, paralisaria as cordas vocais o imobilizaria a pena, a fim de não se confiar à acusação descabida.

Se o desertor do bem conseguisse enxergar as perigosas ciladas com que as trevas lhe furtarão o contentamento de viver, deter-se-ia feliz, sob as algemas santificantes dos mais pesados deveres.

Se o ingrato percebesse o fel de amargura que lhe invadirá, mais tarde, o coração, não perpetraria o delito da indiferença.

Se o egoísta contemplasse a solidão infernal que o aguarda, nunca se apartaria da prática infatigável da fraternidade e da cooperação.

Se o glutão enxergasse os desequilíbrios para os quais encaminha o próprio corpo, apressando a marcha para a morte, renderia culto invariável à frugalidade e à harmonia.

Se soubéssemos quão terrível é o resultado de nosso desrespeito às Leis Divinas, jamais nos afastaríamos do caminho reto.

Perdoa, pois, a quem te fere e calunia...

Em verdade, quantos te rendem às sugestões perturbadoras do mal, não sabem o que fazem.

- Emmanuel

Refletindo acerca da página acima, podemos contemplar a sabedoria de Emmanuel, quando analisa a lei de Causa e Efeito, vez que as consequências de nossos atos infelizes sempre serão dolorosas, caso não optemos pela resgate através do amor.

Nós, espíritas, temos plena ciência do que ocorrerá no futuro, baseando a probabilidade nas condutas atuais. Estamos, portanto, um passo além daqueles que não tem ideia do que lhes aguarda no futuro espiritual.

Com isso, nossa responsabilidade aumenta. Conforme já orientou o Mestre Amado, "a quem mais é dado, mais será pedido", ou seja, seremos todos cobrados pela nossa própria consciência de tudo aquilo que fizemos ou deixamos de fazer.

Que possamos, portanto, agradecer por nossas limitações físicas ou intelectuais, pois elas podem ser freios requeridos por nós próprios antes da reencarnação, para que não caíssemos nos mesmos erros do passado. 

Em muitos casos, inúmeros exemplos de deficiências físicas são consequência de nossos atos infelizes do passado, mas também um pedido de nós mesmos para que aprendamos a lição sem que voltemos a errar.

Por fim, resta salientar a importância de fechar os ouvidos às sugestões do mal, e também das suas provocações e atos violentos contra nossa integridade física ou psicológica, tendo em vista que eles assim agem pois ignoram a Lei Maior, angariando débitos perante a Consciência divina, pelos quais responderão em encarnações futuras.

E a melhor forma de evitar situações constrangedoras no futuro é realizar hoje todo o bem que pudermos, utilizando nossas capacidades motoras e intelectuais em favor do próximo que roga-nos auxílio, no leito da enfermidade ou da ignorância moral.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Na Obra Regenerativa

"Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, orientai-o com espírito de mansidão, velando por vós mesmos para que não sejais igualmente tentados." - Paulo. (Gálatas, 6:1.)

Esse trecho compõe o capítulo 37 do livro "Fonte Viva", ditado pelo espírito Emmanuel ao médium Chico Xavier.

Emmanuel interpreta essa passagem evangélica afirmando que: 

"Se tentamos orientar os irmãos perdidos no erro, através de comentários de cólera, acabamos por despertar a ira contra nós mesmos.

Se lhes oferecemos golpes, eles revidarão com outros tantos.

Se lhes destacamos as falhas, eles se recordarão de nossos gestos menos felizes.

Se aconselharmos no sentido de que eles devem sofrer o mesmo mal que impuseram a outrem, apenas aumentamos a percentagem do mal em nosso redor.

Se aplaudimos a conduta errônea, aprovamos o crime.

Se ficarmos indiferentes, sustentamos a perturbação.

Mas se nós tratarmos o erro do semelhante como quem tem a intenção de afastar a enfermidade de um amigo doente, estamos concretizando a obra regenerativa.

Nas horas difíceis, onde vemos um companheiro nosso cair no despenhadeiro das sombras interiores, não esqueçamos de que, para auxiliá-lo é tão desaconselhável a condenação quanto o elogio.

Se não é justo atirarmos petróleo às chamas com o propósito de apagar a fogueira, ninguém cura chagas com a projeção de perfumes.

Sejamos humanos, antes de tudo.

Aproximemo-nos do companheiro infeliz, com os valores da compreensão e da fraternidade.

Ninguém perderá, exercendo o respeito que devemos a todas as criaturas e a todas as coisas.

Nos coloquemos na situação do acusado e reflitamos se, nas condições dele, teríamos resistido às sugestões do mal. Relacionemos as nossas vantagens e os prejuízos do próximo, com imparcialidade e boa intenção.

Toda vez que assim procedermos, o quadro se modificará nos mínimos aspectos.

De outro modo será sempre fácil condenar, para cair, com certeza, nos mesmos delitos, quando formos, por nossa vez, visitados pela tentação."


- Emmanuel.

Assim, que nós todos possamos jamais julgar o próximo quando o mesmo se nos apresente seus erros cometidos.

Nós não temos ideia se cairíamos nos mesmos erros caso fôssemos visitados pela mesma situação do acusado.

Por isso, importante se faz colocar-se no lugar do próximo, sem julgá-lo fraco ou inferior a nós. Certamente, agiríamos da mesma forma ou, quiçá, de forma pior diante da mesma situação.

No caso de sermos confidentes desses irmãos, que jamais comentemos os seus atos junto a outras pessoas e procuremos sempre aconselhar conforme os ensinamentos do mestre Jesus.

Como diz a sabedoria popular, nunca devemos ficar "em cima do muro", pois para essas pessoas, é necessário que tomemos uma decisão em relação ao erro cometido e necessitamos transmitir a lição de forma amorosa e sem ironia.

Muitas vezes, não agradaremos essas pessoas, que muitas vezes nos buscam para ouvir aquilo que desejam ouvir e não o que necessitam ouvir.

A conduta ideal quase sempre não será bem recebida pelos que erraram, tendo em vista que será sempre necessária a tentativa de reverter o erro cometido, pedir perdão àqueles a quem ofendemos e etc.

Ainda assim, não devemos nos preocupar se estamos agradando aqueles que nos pedem conselhos, mas sempre devemos nos preocupar em transmitir a postura correta diante de qualquer dificuldade, ainda que a pessoa nos busque para ouvir o apoio pela postura errônea, o que jamais devemos fazer.

Tal conduta é muito importante, para que, no futuro, a mesma pessoa, caso erre novamente, não possa dizer: "mas fulano me disse que não tinha problema...", ou qualquer outra afirmativa que nos comprometa a reputação cristã.

Em contrapartida, não devemos ir até o outro extremo, que é o da condenação desmedida, afirmando aos quatro ventos que a pessoa errou e que será condenada por esse erro de forma implacável. Lembremos sempre que a Lei Divina é misericordiosa e preenchida de intenso amor, a qual nos oferece oportunidades mil para corrigirmos nossos erros cometidos.

Por fim, lembremo-nos sempre de que Jesus disse sempre o que necessitamos ouvir, sem se preocupar se agradava aos doutores da lei ou ao império romano. Ensinou, exemplificou e amou a todos, sem jamais aplaudir o erro ou relevar a maldade, demonstrando sempre as melhores formas de reequilibrar-se junto à justiça Divina.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Trabalho Edificante

Diante do quadro de infelicidade global gerada por aqueles que ainda desejam o mal, figuram outros, que agem silenciosamente para o bem comum. Enquanto a maldade faz barulho e incomoda através de seus atos de ignomínia, os anjos de Deus seguem consolando e amparando.

Não temamos a noite sombria, a tempestade no ar! Como já nos aconselha a bela oração de Francisco de Assis, lembremos sempre que a Divindade acompanha todos os acontecimentos humanos e jamais nos deixa à mercê da iniquidade humana.

Exemplos mil existem em nosso trato diário, de pessoas que já querem o Bem para si e para o próximo. Perdão das ofensas, pagar o mal com o bem, auxiliar um irmão menos favorecido, seja materialmente, seja moralmente, entre outras inúmeras formas de praticar a caridade nos rodeiam.

Sendo assim, aproveitemos a oportunidade de prática da caridade junto daqueles que nos cercam. Não esperemos a oportunidade do trabalho edificante. Busquemo-la! Seja num centro espírita, ou numa igreja católica, evangélica e em tantos outros templos religiosos. O que importa para o nosso Mentor Maior é a disposição em auxiliar a todos, independente do local de atuação.

O trabalho nos aguarda! Se ainda não te sentes à vontade para exercer um trabalho caridoso mais abrangente, busque auxiliar aqueles que partilham contigo o meio familiar e social, para depois, iniciar-se em trabalhos de auxílio a irmãos desconhecidos, mas que necessitam tanto quanto nós próprios do amor de Deus.

"Batei e abrir-se-vos-á", disse o Mestre Amado. Assim, que possamos procurar o trabalho no Bem, que o restante, Deus proverá! 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Maldade

Em o "Livro dos Espíritos", questão 630, os benfeitores espirituais afirmam a Kardec que "o bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta".

No livro intitulado "A Gênese", no capítulo III, afirma Allan Kardec que "sendo Deus o princípio de todas as coisas e sendo todo sabedoria, todo bondade, todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter nele a sua origem". Origem essa que, conclui o codificador, procede do próprio homem no exercício do seu livre-arbítrio.

Diante desses conceitos, devemos atentar para as nossas atitudes e pensamentos em relação ao próximo, uma vez que muitos indivíduos não consideram suas ações como maldosas, por entenderem que maldade teria um conceito diverso, mais gravoso.

Praticar o mal, no entanto, significa realizar tudo aquilo que deixa o próximo infeliz, que incite a separação, as contendas, o ódio nos corações humanos, o desequilíbrio e a miséria moral. Ainda que nosso pensamento não se concretize, através de uma ação, o "simples" fato de pensar o mal, já traz consequências infelizes para nós e para os outros.

Inclusive, uma atitude comum a todos nós e que leva no próprio nome a maldade é a maledicência.

Apesar de muitos pensarem que falar mal de alguém não se constitui como maldade, devemos recordar as palavras de nosso Mestre amado, quando nos aconselhou a perdoar as ofensas, retribuir o mal com o bem e amar aos nossos inimigos.

Quando pensamos mal de alguém, e consequentemente transformamos em palavras a nossa intenção inferior em relação a outrem, enviamos para esta uma carga de sentimentos infelizes, contrários à Lei de Amor que deve viger nos corações daqueles que se propuseram a seguir o Nazareno.

Evitemos, portanto, dar ensejo à maledicência no nosso trato diário com o próximo, além das outras inúmeras paixões que nos caracterizam a alma em erro, trazidos de séculos na inferioridade e na prática do mal.

Nos leciona Joanna de Ângelis: "E as paixões hoje são quase as mesmas de ontem, senão mais açuladas, mais violentas e devastadoras, no homem que prossegue inquieto".

Diante desse quadro percebido por um espírito de tão elevada estirpe, devemos nos indagar se formamos esse grupo humano, que continua a satisfazer suas paixões de forma ainda mais violenta e devastadora, atrasando-nos a marcha de forma aparentemente eterna, mas que um dia será retomada, seja por escolha própria, seja pela imposição da dor.

Allan Kardec, insígne codificador, aduz: "Deus não criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre arbítrio".

Ora, como Deus haveria de criar algo que contrarie sua própria Lei? O que Ele criou foram seres capazes de igualmente criar obras de menor magnitude, mas que poderiam verter para a bondade ou serem direcionadas para causar infelicidade.

Sendo assim, nós, Humanidade, através do poder que nos foi concedido pela Divindade, optamos pelas obras que produzimos, dedicando-nos a criar tudo que acelera a evolução da sociedade ou realizar tudo aquilo que atrase nossa marcha evolutiva, ainda que temporariamente.

Lázaro, em uma mensagem intitulada "A lei de Amor", presente no Evangelho Segundo o Espiritismo, nos traz o seguinte ensinamento:
Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor...

Os instintos, as sensações e os sentimentos estarão presentes na existência humana em determinadas combinações, durante todo o processo evolutivo, com a preponderância de alguns sobre os outros.

Na fase inicial de sua jornada – na condição de simples e ignorante – é possível que o instinto lhe seja o melhor guia; à medida que desenvolve as potências da alma – a inteligência, a vontade – ele tende a apegar-se às sensações, pois não desenvolveu ainda, na mesma proporção os sentimentos, que permanecem como presença latente e promessa futura; como a inteligência desenvolve-se mais rapidamente, na ausência de sentimentos como a fé, a esperança, a caridade, o homem tende a prender-se à sensações materiais; por fim, aliando a inteligência (instruído) e as experiências de vida (depurado), os sentimentos começam a ocupar maiores espaços de manifestações anímicas no homem.

Podemos, assim, afirmar que os instintos e as sensações ainda convivem conosco hoje, pois como espíritos encarnados, imersos em um corpo físico, estamos sujeitos às leis e às atrações da matéria, porém os sentimentos tendem a dominar-nos a alma, aliado à inteligência, que já temos desenvolvido sob as suas diversas modalidades.
Podemos perceber, assim, que de forma geral, os seres humanos priorizam o avanço intelectual para, após, preocupar-se com o avanço moral (sentimentos). Enquanto este último não chega, estão entregues às sensações impostas pela matéria, envolvendo-se com a satisfação dos prazeres proporcionados pelo sexo, poder e demais sensações meramente materiais.

Após o sofrimento, que é consequência natural do abuso das aludidas paixões, o homem passa a atentar-se para o sentimento, preocupando-se mais com o próximo, com as dores alheias e com o avanço sentimental.

Quando, então, atingirmos o patamar mais elevado de prática do Bem, estaremos livres de qualquer sentimento inferior, dentre eles o mais prejudicial, que é o da maldade, responsável pelas dores que tanto conhecemos neste Orbe.

Com esperança no futuro que nos chega a passos lentos, temos a certeza de que, à medida que depuramos nossos corações, a maldade vai fazendo parte de nosso passado sombrio, que um dia não será nada mais que uma lembrança ruim de um tempo que jaz há muito esquecido!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ele nos aguarda

No cotidiano humano, especificamente no meio religioso, é comum encontrar aqueles que se distanciam de Deus.

Uns temporariamente, outros em definitivo.

Seja por razões pecuniárias, seja pela desilusão amorosa, situações há em que as pessoas, antes com uma fé aparentemente inquebrantável, tornam-se frágeis diante das dificuldades ou revoltadas diante da incompreensão alheia.

Inúmeros são os motivos que podem afastar-nos do contato divino. Entretanto, jamais devemos preferir a revolta, o desencanto pelas leis morais, a irritabilidade diante de um constrangimento ou qualquer outra conduta menos feliz, a qual somente atrasará nossa marcha evolutiva.

O trabalho nos toma muito tempo, impedindo-nos de termos maior disponibilidade para o assuntos d'alma? Transformemos, então, estes raros momentos, em profunda meditação e disciplina. Analisemos, ainda, se realmente as ocupações diárias são realmente improrrogáveis ou se não passam de momentos naturalmente dispensáveis diante da necessidade maior de reforma interior.

Se a nossa consciência evita a oração, o momento de repouso íntimo e a busca da meditação com Deus, é sinal de que nossos pensamentos, atitudes ou intenções estão dessintonizados para com a Vontade Divina.

É natural sentirmos vergonha de nós próprios quando analisamos nossos atos e percebemos o quanto de inferioridade ainda carregamos. Devemos recordar, porém, que Deus é nosso Pai Maior, e jamais se ofende com nossos atos, pois Ele compreende a nossa situação moral e faz todo o possível para nos reabilitarmos à Sua Lei.

Sendo assim, cultivemos o hábito de orar, conversar com Deus, com nossos Espíritos mentores, com nosso irmão maior, Jesus. Essa conduta nos trará o conforto necessário para lidarmos com as perdas, com as situações desagradáveis e com o sofrimento. E, acima de tudo, servirá para manter-nos sintonizados com a Divindade, favorecendo-nos nas decisões a serem tomadas em nossa existência.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Espiritismo – Dúvidas comuns

A crença espírita, adotada por milhares de seres (encarnados e desencarnados) é amplamente conhecida pela sociedade a qual faz parte, porém, muitos desconhecem as benesses que os ensinamentos espíritas trazem para as almas humanas.

Medo, dúvida, apreensão, preconceito. Esses são apenas alguns exemplos dos sentimentos que envolvem grande parte da população em relação à causa espírita. Quantos confundem o Centro Espírita com centros de Umbanda? E no que concerne à doutrina espírita em si? Existem aqueles que a denominam “kardecista”, sendo que tal termo não coaduna com os postulados espíritas, vez que nós, espíritas, não seguimos a Kardec, no sentido lato da palavra. Seguimos, sim, à Jesus, e, por esse motivo, o Espiritismo é uma religião (ou ciência) cristã.

Digo religião ou ciência pois tal doutrina não pode ser entendida somente pela análise de um desses aspectos. Pela visão do que se entende por religião, o Espiritismo corresponde a todos os requisitos desta, uma vez que seus seguidores são instruídos a melhorarem suas atitudes, evoluírem seus pensamentos e buscar uma conduta diária pautada nos ensinos do Mestre Jesus. Assim, não há dúvida acerca da possibilidade de enquadrar tal doutrina como religião.

Ainda assim, existe outra classificação passível de análise: Considerar o Espiritismo como uma ciência. Ora, tal afirmativa parece absurda para muitos estudiosos e principalmente para os leigos. Assim consideram pois não enxergam o aprofundado estudo que se teve na origem dessa iluminada doutrina. E, inclusive, é daí que provém o erro de considerar Kardec como “inventor” do Espiritismo.

Com uma análise rápida na história do Espiritismo, podemos verificar que Allan Kardec buscou estudar os fenômenos espíritas, os quais desde os primórdios, sempre fizeram parte da realidade humana. Com esses estudos, Kardec pôde constatar a veracidade dos fatos ali analisados, a qual foi alcançada com as diversas experiências efetuadas pelo mesmo, buscando desmascarar toda e qualquer farsa, todo e qualquer fingimento ou fraude.

Quando Kardec verificou que não havia fraude alguma e que efetivamente existia a possibilidade dos espíritos que antes habitaram a Terra voltarem para se comunicar conosco, temporariamente encarnados, o aludido professor procedeu com a compilação dessas experiências, nas quais os espíritos superiores nos trouxeram o direcionamento correto a ser seguido em nossas vivências terrenas, formando, assim, o que hoje entendemos por doutrina espírita.

Assim, Kardec redigiu o Pentateuco, que leva este nome em razão do número de livros lançados por ele para informar o Mundo da Realidade Espiritual. Dessa forma, muitos confundem a função de Kardec. Alguns o consideram criador da doutrina. Outros entendem que os espíritas o seguem os passos, servindo-o de modelo para nossas condutas. Porém, como já tratado anteriormente, ambas as visões estão equivocadas.

Os livros redigidos por Kardec são muitíssimo importantes pois este foi o primeiro e único a compilar as experiências vividas junto ao Mundo Espiritual e sua conseqüente comunicabilidade com o mundo físico de forma organizada e cronológica, favorecendo para demonstrar a seriedade do tema e o quanto ele influencia em nossas vidas. Dessa forma, consideramos Allan Kardec como um ícone incomparável da doutrina espírita. No entanto, ainda assim não o temos como “modelo e guia da Humanidade”.

Mesmo porque todo o conteúdo do Pentateuco é baseado nos ensinamentos trazidos há mais de dois mil anos, por Jesus Cristo. Por isso que uma análise superficial da doutrina não permite ao aventureiro compreender toda a amplitude do assunto. Mas o fato é que temos por Jesus o grande Modelo a ser seguido e, desde o Seu retorno às Paragens Celestiais, o Planeta ainda não demonstrou total fidelidade aos postulados aqui deixados.

Sou suspeito para falar, tendo em vista que sou Espírita (ou ao menos tento ser), porém, afirmo com total certeza que essa doutrina libertadora auxilia a quem lhe procure a alcançar a paz espiritual e a evolução necessária para atingir a perfeição.

Basta agora procurar uma Casa Espírita séria (sou obrigado a usar esse termo em virtude da quantidade de centros espíritas que estariam mais enquadrados no termo “equivocados”) e se dedicar ao trabalho em prol do próximo, favorecendo, em contrapartida ao seu próprio espírito na romagem terrena, caracterizada por dificuldades e dores complicadas de serem compreendidas sem a devida análise da realidade espiritual que os rodeiam.

domingo, 4 de setembro de 2011

O Recomeço

A manhã se iniciara mais uma vez gélida na cidade de Weimar, situada ao leste da Alemanha.

Aos seus moradores, porém, o frio insuportável não chegava a incomodar, pois o calor das lareiras e o aconchego de seus pesados cobertores afastavam qualquer arrepio provocado pela baixa temperatura.

A situação, no entanto, era totalmente diferente poucos quilometros dali, na colina de Ettersberg, onde estava erguido o Buchenwald, um campo de concentração em intensa atividade.

Anos antes do ultimato dado por Hitler, objetivando "higienizar" a Europa das raças consideradas impuras, aquela era uma pacífica comunidade, onde reinava a simplicidade e a tranquilidade entre seus moradores. Com o advento da segunda grande guerra, no entanto, o quadro modificou-se sobremaneira, pois para ali foram direcionadas algumas milhares de vítimas da inconsequência germânica, tornando-se doloroso lar temporário de judeus, poloneses, prisioneiros de guerra russos e testemunhas de Jeová.

Uma vez dentro da grande edificação, impossível era escapar da sanha feroz dos soldados alemães, conhecidos por se utilizarem de práticas violentas e criminosas para com as vítimas do Holocausto.

À esquerda do grande portão de ferro que guardava a entrada principal do campo, foram erguidas as câmaras de gás, as quais possuíam a falsa aparência de banheiros públicos, para que quando os judeus e demais vítimas fossem direcionados para o suposto "banho", fossem surpreendidos com a emissão intensa de um gás letal, suficientemente poderoso para aniquilar centenas de vidas em alguns minutos.

À direita, situava-se extensa galeria de fornalhas gigantes e grande quantidade de bigornas e metais pesados, os quais eram transportados pelos prisioneiros jovens e adultos até que esfalececem já sem vida ao chão, esgotados pelos intensos sacrifícios.

É nesse local que encontraremos Houssef, comandante de primeira classe do 3o Heich, grupo de elite  formado por Hitler especialmente para o comando dos campos de concentração. Esse homem era o mais temido naquele terrível lugar devido às atrocidades que cometia e pela frieza de sentimentos.

- Mais rápido! Mais rápido, eu disse! - bravejava Houssef à fila de prisioneiros, que carregavam pesadíssimas bigornas.

Aqueles homens obedeciam silenciosamente, para evitar as agressões costumeiras do terrível alemão que os vigiavam.

Esquálidos, sem forças para prosseguir, alguns deles caíam ao chão, esgotados pelo trabalho intenso, pelo que eram quase que imediatamente chicoteados e espancados até que se levantassem novamente.

A fome, o frio, a humilhação provocada pela ironia alemã os impactava o ser, que não podiam responder às agressões, uma vez que encontravam-se totalmente subjugados àquele poderio militar.

E assim, desencanavam aos milhares, seja pela ação da fome, das doenças que proliferavam naquele local imundo ou pela violência fatal praticada pelos responsáveis da dominação germânica. Pelas mãos de Houssef centenas padeceram incontáveis sofrimentos, além de abandonarem o corpo físico em razão de ações violentas do mesmo, angariando para si próprio extensa lista de débitos para com a Lei Divina, a qual age no momento adequado, buscando renovar o ser e fazê-lo voltar-se para a realidade eterna da sobrevivência do espírito.

Nessa condição terrível, observaremos Houssef desencarnar, após doloroso transpasse em enfermaria localizada na cidadela. Abatimento inexplicável havia tomado-lhe o ser inesperadamente. Seus poucos familiares nada puderam fazer, pois, quando descobriram a enfermidade, o processo degenerativo já se encontrava em estágio avançado, deixando a "vítima" totalmente subjugada pela doença.

A mazela que atingiu seu sistema gástrico esgotou as poucas reservas fluídicas mantenedoras da vida em nosso personagem. A conduta totalmente entregue à maldade sem medida provocara-lhe a rápida ação da enfermidade, que consumiu-lhe as forças em poucas semanas.

Impossível descrever a situação de Houssef quando deparou-se com a realidade espiritual. Os espíritos que, quando encarnados, foram suas vítimas, tornaram-se agora seus algozes, revidando através da força tudo aquilo que sofreram nas mãos do antigo comandante, o qual não mais possuía o status dominador de outrora.

Desatenciosos para com a supremacia da Lei Divina, que permite os sofrimentos e catástrofes diárias, obedecendo às consequências do livre arbítrio e da infelicidade que nós próprios plantamos na colheita da Vida, prosseguiam os espíritos arrefecidos no ódio e na busca de vingança desmedida, acabando por reafirmarem os laços expiatórios entre a vítima e seus perseguidores.


Anos se passaram desde os acontecimentos narrados acima. Na busca por informações por Houssef, somos direcionados ao Chifre da África, no nordeste do continente, especificamente na Somália.



Agora, após intensos sofrimentos em regiões trevosas da espiritualidade inferior, encontraremos o antigo comandante ariano reencarnado em tribo africana abandonada pelo governo local, auxiliada somente por organizações não governamentais dedicadas à minimização das dores mundiais.


Deitado num tapete de palha, seminu, num corpo mirrado, completamente necessitado de nutrientes e demais substâncias imprescindíveis para o devido desenvolvimento do corpo humano, está encarcerado o espírito de Houssef, agora denominado Obadele, que significa "o rei chega a casa".

Presenciamos aí a perfeita aplicação da lei de causa e efeito, onde os indivíduos se deparam com as mesmas dificuldades proporcionadas aos semelhantes em existências pretéritas.

Antes, Houssef proporcionava dor e sofrimento aos seus subjugados, e agora, após verificar com sua própria consciência os atos praticados, aplica inconscientemente (através da lei de Deus em nosso subconsciente) na formação do novo invólucro carnal a culpa que carrega.

Logicamente, a misericórdia Divina não pretende alimentar um círculo vicioso onde sempre há um agressor e um ofendido, porém, os seres que se dedicam ao mal não pretendem abandonar suas concepções egoísticas e prosseguem na subjugação dos semelhantes.

Dessa forma, deformam seus perispíritos, os quais transmitem aos genes do novo corpo que receberão em encarnação posterior, as medidas necessárias para se reconciliarem com a Lei Divina.

Não podemos olvidar que, apesar de nossos irmãos sofredores estarem colhendo a infelicidade antes semeada, cada um de nós tem o dever cristão de auxiliar a quem quer que seja, sem analisar o mérito de cada um, tendo em vista que todos somos devedores e a ninguém podemos julgar, considerando-nos superior a quem quer que seja.

Nossos irmãos africanos, e tantos outros necessitados de auxílio fraterno, merecem toda nossa atenção e comiseração, pois, apesar de se encontrarem em terrível expiação, muitos deles já encontraram a paz íntima necessária para prosseguirem evoluindo, enquanto que muitos de nós, alimentados, vestidos e cercados de conforto, encontramo-nos com o coração dominado pela inveja, egoísmo e maldade.

Haverá um dia em que medidas desse teor não serão mais necessárias, pois os indivíduos não mais provocarão dores aos seus semelhantes, perturbando-lhes a mente e trazendo danos de difícil reparação aos seus perispíritos, os quais somente são sanados através de reencarnações dolorosas, exercitando dessa forma a boa convivência e o aprendizado de amor ao próximo.